5 poèmes à découvrir selon Lizzie

Lire des poèmes d’auteurs portugais

Dans l’épisode 3 du podcast Agosto, vous avez pu découvrir l’artiste de chanson française et chanteuse de fado Lizzie. Passionnée par la langue portugaise, elle l’étudiera pendant de nombreuses années pour maîtriser le vocabulaire mais aussi sa mélodie. Pendant l’épisode, Lizzie nous cite des poètes qui l’ont marqué et l’émotion qu’elle a pu ressentir à travers leurs mots. Voici sa sélection des 5 poèmes à lire absolument.

  • « Viver sempre também cansa! » de José Gomes Ferreira

    O sol é sempre o mesmo e o céu azul
    ora é azul, nitidamente azul,
    ora é cinza, negro, quase verde...
    Mas nunca tem a cor inesperada.

    O Mundo não se modifica.
    As árvores dão flores,
    folhas, frutos e pássaros
    como máquinas verdes.

    As paisagens não se transformam
    Não cai neve vermelha 
    Não há flores que voem, 
    A lua não tem olhos 
    Niguém vai pintar olhos à lua 

    Tudo é igual, mecanico e exacto 

    Ainda por cima os homens são os homens 
    Soluçam, bebem riem e digerem 
    sem imaginação. 

    E há bairros miseráveis sempre os mesmos
    discursos de Mussolini,
    guerras, orgulhos em transe 
    automóveis de corrida... 

    E obrigam-me a viver até à morte! 

    Pois não era mais humano 
    Morrer por um bocadinho 
    De vez em quando 
    E recomeçar depois 
    Achando tudo mais novo? 

    Ah! Se eu podesse suicidar-me por seis meses 
    Morrer em cima dum divã 
    Com a cabeça sobre uma almofada 
    Confiante e sereno por saber 
    Que tu velavas, meu amor do norte. 

    Quando viessem perguntar por mim 
    Havias de dizer com teu sorriso 
    Onde arde um coração em melodia 
    Matou-se esta manhã 
    Agora não o vou ressuscitar 
    Por uma bagatela 

    E virias depois, suavemente,
    velar por mim, subtil e cuidadosa,
    pé ante pé, não fosses acordar
    a Morte ainda menina no meu colo…

  • “Venho de longe, longe” de José Saramago - In Provavelmente Alegria

    Venho de longe, longe, e canto surdamente

    Esta velha, tão velha canção de rimas tortas,

    E dizes que a cantei a outra gente,

    Que outras mãos me abriram outras portas :

    Mas, amor, eu venho neste passo

    E grito, da lonjura das estradas,

    Da poeira mordida e do tremor

    Das carnes maltratadas,

    Esta nova canção com que renasço.

  • “A minha culpa” de Florbela Espanca - in Charneca em Flor

    Sei lá ! Sei lá ! Eu sei lá bem

    Quem sou ?! Um fogo-fátuo, uma miragem…

    Sou um reflexo… um canto de paisagem

    Ou apenas cenário ! Um vaivém…

    Como a sorte : hoje aqui, depois além !

    Sei lá quem sou ?! Sei lá ! Sou a roupagem

    Dum doido que partiu numa romagem

    E nunca mais voltou ! Eu sei lá quem !...

    Sou um verme que um dia quis ser astro…

    Uma estátua truncada de alabastro…

    Uma chaga sangrenta do Senhor..

    Sei lá quem sou ?! Sei lá ! Cumprindo os fados,

    Num mundo de vaidades e pecados,

    Sou mais um mau, sou mais um pecador…

  • “O Guardador de Rebanhos” (extrait) de Alberto Caeiro

    Pensar incomoda como andar à chuva

    Quando o vento cresce e parece que chove mais.

    Não tenho ambições nem desejos.

    Ser poeta não é uma ambição minha.

    É a minha maneira de estar sozinho.

  • "Amor é fogo que arde sem se ver” de CAMÕES

    Amor é fogo que arde sem se ver;

    É ferida que dói e não se sente;

    É um contentamento descontente;

    É dor que desatina sem doer;

    É um não querer mais que bem querer;

    É solitário andar por entre a gente;

    É nunca contentar-se de contente;

    É cuidar que se ganha em se perder;

    É querer estar preso por vontade;

    É servir a quem vence, o vencedor;

    É ter com quem nos mata lealdade.

    Mas como causar pode seu favor

    Nos corações humanos amizade,

    Se tão contrário a si é o mesmo Amor ?

 

Le Fado de Lizzie

Lizzie est une instinctive, une passionnée qui un jour tomba amoureuse de Lisbonne, du fado mais surtout de la langue portugaise. De ce pays, elle n’en connaissait rien mais en quelques secondes il était devenu une évidence. Une connexion qui ne l’a quittera plus, et c’est à 16 ans qu’elle commencera son chemin pour décortiquer la langue et en comprendre sa mélodie. Découvrez l’épisode 3, l’histoire de Lizzie “de Barbara à Amalia”.

Suivez Lizzie et le groupe Fado Clandestino sur IG via le profil @lizzie.officiel

Tous les épisodes du podcast AGOSTO sont disponibles sur toutes les plateformes d’écoute de podcast ou sur le site www.agosto-podcast.com

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